Gal Barradas diz que futebol feminino transforma visão da sociedade

Slogan Copa 2027. Foto: @fifawomenswoldcup/Instagram
Slogan Copa 2027. Foto: @fifawomenswoldcup/Instagram

O crescimento do futebol feminino representa mais do que avanços dentro das quatro linhas. Para Gal Barradas, diretora da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA 2027, que será realizada no Brasil, a modalidade tem desempenhado um papel importante na transformação da forma como a sociedade enxerga as mulheres. A executiva abordou o tema durante participação no Conselho dos Conselhos, em entrevista ao UOL. Segundo ela, o fortalecimento do esporte também amplia oportunidades profissionais em diferentes áreas ligadas ao futebol.

Ao comentar a presença feminina em espaços historicamente ocupados por homens, Gal Barradas afirmou que o futebol feminino contribui diretamente para alterar antigos paradigmas. “Quando acontecem campeonato brasileiro de futebol feminino, de futsal, qualquer um deles, e a gente vê as mulheres numa posição que eminentemente era dominada pelos homens, uma coisa que um dia chegou até a ser proibida, isso muda completamente a maneira como a mulher é vista. Elas agora estão ocupando lugares que nem se imaginava que fossem ocupar”, afirmou.

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Durante entrevista, Barradas ressaltou que os reflexos do desenvolvimento da modalidade não ficam restritos às jogadoras. Segundo ela, toda a estrutura que envolve o futebol feminino passa a ganhar novas oportunidades à medida que o esporte cresce e conquista espaço. “E não é só a jogadora, é toda a cadeia, porque a gente está falando das árbitras, a gente está falando de treinadoras, de comissão técnica, massagistas, médicas, fisioterapeutas. Para entrar no ambiente do futebol era difícil e agora abrem-se novas portas”, declarou a dirigente.

Publicidade e liderança também têm papel na transformação

A diretora da Copa do Mundo Feminina de 2027 também destacou a responsabilidade das empresas e do mercado publicitário na construção de uma sociedade mais representativa. Na avaliação de Barradas, as campanhas precisam acompanhar as mudanças sociais e abandonar modelos que já não refletem a realidade.

“A publicidade lida com modelos de target. Se a publicidade espelha numa comunicação um modelo de target ultrapassado, que não corresponde mais à realidade do mundo que a gente vive, ela está prestando um desserviço”, comentou. Além da publicidade, Gal Barradas defendeu que a diversidade precisa estar presente nos espaços de tomada de decisão das organizações.

Para ela, não basta aumentar o número de mulheres nas empresas sem que elas ocupem cargos estratégicos. “Quantas dessas mulheres reportam a liderança principal da empresa? Esta é a pergunta que precisa ser respondida, porque é lá em cima que se fazem as mudanças e se aplicam as mudanças para impactarem resultados”, afirmou.

Legados após a Copa

As declarações de Gal Barradas reforçam o debate sobre o legado que a Copa do Mundo Feminina de 2027 pode deixar para o futebol brasileiro. Além do impacto esportivo, a dirigente defende que o fortalecimento da modalidade tem potencial para ampliar a participação das mulheres em diferentes funções, incentivar mudanças na gestão das organizações e contribuir para uma sociedade mais representativa.

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