
Em partida disputada em Boston na última segunda-feira, o Paraguai despachou a Alemanha da Copa do Mundo após um empate por 1 a 1 no tempo normal e vitória nas penalidades. Entre os paraguaios que atuam no futebol brasileiro, o meia-atacante Mauricio conseguiu roubar a cena, dividindo os holofotes até com o capitão Gustavo Gómez.
Mesmo começando no banco, Mauricio foi decisivo para a classificação — um desempenho que valida uma declaração recente do técnico Gustavo Alfaro e que pode animar diretamente o Palmeiras. A trajetória de Mauricio nesta Copa do Mundo tem sido marcante. Logo na estreia, foi dele o único gol paraguaio na derrota para os Estados Unidos.
Depois de atuar por 45 minutos contra a Austrália e não sair do banco diante da Turquia, o meia-atacante voltou a ser decisivo justamente no jogo histórico contra a Alemanha: entrou no segundo tempo, aguentou a prorrogação e chamou a responsabilidade ao abrir a disputa de pênaltis superando ninguém menos que Neuer.
O sucesso impressiona ainda mais pelo contexto: Mauricio tinha apenas uma convocação na bagagem antes do Mundial. Ele acelerou o processo de naturalização justamente de olho nessa oportunidade. O estalo para o técnico Gustavo Alfaro veio na Data Fifa de março, quando o jogador mostrou ter uma virtude escassa no elenco paraguaio: a capacidade de atuar na segunda linha de campo, distribuindo o jogo, mas com o diferencial de pisar constantemente na área adversária para finalizar.
A dica de ouro do técnico do Paraguai
Apesar do impacto positivo e das atuações seguras no Mundial, Mauricio seguiu iniciando as partidas no banco de reservas. A explicação de Alfaro para essa escolha foi curta e direta — e suas palavras trazem um diagnóstico que serve como um verdadeiro mapa para o Palestra utilizar o jogador no retorno ao Brasil.
“Maurício é titular no Palmeiras? Pergunte ao capitão aqui (Gustavo Gómez, também presente na coletiva). Ramon Sosa é titular (e fica no banco no Paraguai). Quando tiver a capacidade de ser consistente durante os 90 minutos, terá a possibilidade de ser titular. O desempenho é melhor quando o nível de intensidade física do adversário diminui”, analisou o treinador.
A cobrança do treinador parece ter feito o meia virar a chave. Embora não tenha participado diretamente do gol paraguaio, anotado por Julio Enciso ainda na etapa inicial, Mauricio foi o motor da equipe na reta final. Ele soube ditar o ritmo dos contra-ataques quando o Paraguai mais precisava e teve papel crucial na recomposição defensiva. O grande trunfo, porém, foi a entrega física: ele entregou exatamente a intensidade que Alfaro tanto exigia.
E como tem sido Maurício no Verdão?
Antes de ir para o banco, Mauricio estava entre os atletas mais desgastados do Palmeiras, mas depois atuou menos de 30 minutos por jogo entre abril e maio. Essa queda de minutagem coincidiu com uma fase de menor participação em gols, com exceção do duelo pela Copa do Brasil diante do Jacuipense. Para recuperar a titularidade na volta da Copa, o meia precisará mostrar mais intensidade, inclusive vindo do banco. A missão será ainda mais dura no segundo semestre, já que a concorrência no ataque aumentará com os retornos dos recuperados Paulinho e Vitor Roque.
