
Gabriel Magalhães fez história em Houston após um pedido de Carlo Ancelotti no intervalo. O zagueiro foi o motor da distribuição de jogo na vitória por 2 a 1 sobre o Japão, acertando 130 passes ao longo dos 90 minutos. Estatisticamente, a marca coloca o defensor no mesmo patamar de Dunga na final do Mundial de 1994. Porém, o feito do atual zagueiro carrega ainda mais peso, já que o capitão do tetra jogou os 120 minutos daquela decisão burocrática e com prorrogação.
O zagueiro e o ex-volante agora dividem o posto de jogadores brasileiros com mais passes certos em uma única partida de Copa do Mundo. No entanto, o defensor leva vantagem no quesito eficiência por ter alcançado o feito em menos tempo. Os dados históricos pertencem à plataforma Sofascore e abrangem todas as edições do torneio desde 1966, ano em que a Fifa passou a registrar oficialmente as estatísticas completas de cada confronto.
Muito além das estatísticas, o recorde de Gabriel Magalhães simboliza a reviravolta tática que garantiu a virada da Seleção Brasileira sobre o Japão. Essa engrenagem começou a se mover ainda no vestiário do estádio em Houston, no intervalo do confronto decisivo válido pela segunda fase. Importante ressaltar que a informação é do jornalista Thiago Arantes, do Uol Esporte.
Como Ancelotti fez Gabriel igualar recorde de Dunga?
O cenário no intervalo era crítico: o Brasil perdia por 1 a 0 para os asiáticos e estava sendo eliminado. Foi quando Carlo Ancelotti interveio, pedindo tranquilidade ao grupo e assegurando que tinha uma estratégia desenhada para buscar a virada nos 45 minutos finais.
A estratégia do treinador consistia em preencher a grande área e romper o forte bloqueio japonês — estruturado em duas linhas compactas de cinco e quatro defensores, explorando o jogo aéreo. Essa postura resultou em uma blitz de 28 cruzamentos apenas na etapa complementar, totalizando 40 investidas pelo alto ao longo dos 90 minutos.
Para destravar um ataque sufocado e aproveitar a enorme posse de bola, Ancelotti empurrou o Brasil para a frente. O meio-campo ganhou a função de povoar a grande área, enquanto os defensores assumiram o papel de armadores na intermediária de ataque, girando o jogo e abusando das bolas alçadas.
O gol de empate transformou o jogo em um verdadeiro xadrez tático, exigindo frieza do Brasil. Com as linhas adiantadas, a dupla Magalhães e Marquinhos virou a base da engrenagem do time, trabalhando a circulação de bola de uma ponta à outra do gramado para abrir a defesa asiática.
Reviravolta tática alavancou zaga
Esse volume de jogo contra o Japão catapultou os zagueiros brasileiros para o topo das estatísticas da Copa do Mundo. Magalhães agora é o quinto jogador mais eficiente do torneio no quesito, somando 398 passes certos (média de 99,5 por jogo). Seu companheiro de zaga, Marquinhos, é o 11º colocado geral, registrando 87 passes certos por partida. Acima deles, o líder isolado da estatística em todas as seleções é o meio-campista Rodri, da Espanha, com média de 109,33.
