
Não é impressão sua: o Mbappé que veste a camisa da França na Copa do Mundo parece outro jogador se comparado ao jogador que se vê no Real Madrid. Quem assina embaixo é Didier Deschamps. O comandante francês elogiou a postura do craque, destacando que ele assumiu de vez a braçadeira de capitão e lembrando que a imagem criada pela opinião pública nem sempre reflete quem ele é de verdade nos bastidores.
A jornalista Luiza Oliveira, do Uol Esporte, acompanhou treino da seleção francesa e os olhares tanto do elenco, como da imprensa europeia também aponta para isso. Em entrevista ao jornalista Louis Vic, do Infosport+, realizada por Luíza, o perfil do camisa 10 francês foi detalhado.
“Ele controla muitas coisas com Deschamps. Fala muito com o staff, sobre tática, sobre os minutos que os jogadores vão atuar. Ele é mais que um capitão, mais que um goleador.”, afirmou Louis Vic.
Mbappé herdou a braçadeira após as aposentadorias de Lloris e Varane da seleção, consolidando-se como o líder do elenco. Essa postura se reflete em suas atitudes extracampo: o atacante veio a público defender Dembélé quando este foi alvo de críticas e ofereceu suporte direto a Deschamps no período de luto pela perda de sua mãe.
Jornalistas explicam a diferença que marca Mbappé
Jeremy Jeanningros, do L’Équipe La Chaîne também abordou o assunto com a repórter do Uol: “Ele é da mesma idade dessa geração, representa os mesmos códigos e, como faz muitos gols, consegue trazer as pessoas para ele. É carismático, sabe falar, tem um discurso inteligente.”
O cenário na seleção francesa, no entanto, contrasta fortemente com a realidade vivida por Mbappé nos clubes — tanto na reta final pelo PSG quanto na atual passagem pelo Real Madrid. No dia a dia dos clubes, sua temporada foi marcada por controvérsias, incluindo uma viagem polêmica durante um período de recuperação de lesão, atritos com a comissão técnica e desgaste no vestiário. A insatisfação externa foi tamanha que torcedores chegaram a organizar um abaixo-assinado sob o lema “Fora, Mbappé”.
Situação tática também influencia
Jeanningros explicou a diferença: “No vestiário, Mbappé nem sempre é fácil como outros líderes, porque ocupa muito espaço, atrai muitos holofotes, faz muitos gols e quer responsabilidade. Em uma temporada longa, isso pode ser difícil.”
Já Louis completou a explicação com uma percepção tática: “Ele não joga do mesmo jeito, não se comporta do mesmo jeito. Essa é a diferença que a gente sente — condição física, espírito mental também.”
