
Na derrota da Escócia para Marrocos por 1 a 0, nesta sexta-feira (19), pela 2ª rodada do Grupo C da Copa do Mundo, um dos personagens da partida foi justamente um jogador que chegou ao torneio sob forte desconfiança: Angus Gunn.
O goleiro foi vazado logo aos dois minutos, em chute indefensável de Saibari, mas evitou que o placar fosse muito mais elástico com uma série de intervenções importantes ao longo dos 90 minutos. No Gillette Stadium, em Boston, Gunn foi o principal responsável por manter a Escócia viva até os instantes finais.
A atuação reforça uma das histórias mais curiosas deste início de Mundial. Aos 30 anos, o arqueiro do Nottingham Forest desembarcou nos EUA sem status de estrela e carregando dúvidas sobre sua condição. Na última temporada, participou de apenas uma partida pelo clube inglês, cenário que alimentou o debate sobre quem deveria ser o titular da seleção escocesa.
Foto: gerada com auxílio de IA pelo Bolavip Brasil.
O técnico Steve Clarke manteve a disputa aberta até a reta final da preparação. Craig Gordon aparecia como concorrente direto pela vaga, mas Gunn acabou recebendo a confiança para iniciar a Copa como titular. A escolha parece ter sido acertada.
Angus Gunn: inglês que aceitou defender a ‘vizinha’ Escócia em 2023
Antes mesmo do Mundial, a trajetória do goleiro já era marcada por reviravoltas. Filho do ex-jogador Bryan Gunn, ídolo do Norwich City, Angus defendeu as categorias de base da Inglaterra e chegou a ser convocado por Gareth Southgate para um grupo de treinamentos antes da Copa de 2018. Na época, recusou a possibilidade de atuar pela Escócia.
A mudança de ideia só aconteceu anos depois. Em 2023, aceitou o convite para defender a seleção do país de seu pai e passou a integrar o grupo conhecido como “The Tartan Army”. Desde então, conquistou espaço e chegou ao Mundial como dono da posição.
Gunn foi muito acionado contra Marrocos, que venceu Escócia com gol de Saibari (de branco) – Foto: Mattia Ozbot/Getty Images
Longe dos holofotes reservados a nomes como Courtois, Dibu Martínez, Alisson, Maignan ou Diogo Costa, Gunn vai construindo sua própria história na competição. Após ajudar a Escócia a conquistar sua primeira vitória em Copas contra o Haiti, voltou a ser destaque diante de Marrocos, mesmo sem conseguir evitar a derrota.
Muralha escocesa é uma das agradáveis surpresas da Copa até aqui
Entre passagens por Manchester City, Southampton, Stoke City e Norwich — onde atuou ao lado dos brasileiros Gabriel Sara e Marquinhos —, o goleiro acumulou altos e baixos na carreira. Agora, em um dos maiores palcos do futebol mundial, tenta provar que ainda pode ser muito mais do que uma aposta de emergência.
Se a Escócia sonha com uma classificação inédita ao mata-mata da Copa do Mundo, muito disso passa pelas mãos de Angus Gunn. E, por enquanto, o goleiro tem respondido às críticas da melhor forma possível: dentro de campo.
