
Endrick voltou ao centro dos debates envolvendo a Seleção Brasileira após ficar no banco de reservas durante o empate por 1 a 1 com o Marrocos, na estreia da Copa do Mundo.
Mesmo diante das dificuldades ofensivas da equipe e da atuação discreta de Igor Thiago, o atacante ex-Palmeiras não foi acionado por Carlo Ancelotti, decisão que gerou questionamentos entre torcedores e jornalistas.
A explicação, porém, vai além da concorrência no comando de ataque. Endrick atuou durante praticamente toda a temporada pelo Lyon como ponta-direita, função que hoje o coloca como concorrente direto de Raphinha dentro do modelo adotado pelo treinador italiano, informa o colega Leonardo Miranda, do Globo Esporte.
Centroavante? Endrick exerceu a função na ponta-direita durante período no Lyon
Contratado pelo clube francês no início da temporada, o ex-jogador do Palmeiras disputou 22 partidas, sendo titular em 20 delas. No período, marcou 10 gols e distribuiu seis assistências, participando diretamente de um gol a cada 109 minutos em campo.
No esquema 4-2-3-1 utilizado por Paulo Fonseca, Endrick atuou aberto pelo corredor direito, explorando velocidade, força física e capacidade de atacar espaços. Em vez de permanecer fixo entre os zagueiros, o brasileiro ganhou liberdade para arrancar em direção à área e aparecer como elemento surpresa nas jogadas ofensivas.
Raphinha decepcionou na estreia da Seleção Brasileira na Copa diante de Marrocos – Foto: Rodolfo Buhrer/AGIF
A função é semelhante à que ocupa na teoria dentro da Seleção Brasileira. Na prática, entretanto, a disputa é complexa. Raphinha segue como titular absoluto do setor e oferece características valorizadas por Ancelotti, principalmente na construção das jogadas.
Os números ajudam a explicar o cenário. Enquanto Endrick se destaca pela objetividade próxima ao gol, Raphinha participa de maneira mais constante da elaboração ofensiva. O atacante do Barcelona registra média de 36,6 passes por 90 minutos, contra 16,0 do jogador do Lyon. A diferença também aparece nos passes recebidos, nas ações para o terço final e nos passes realizados para dentro da área adversária.
Foto: gerada com auxílio de IA pelo Bolavip Brasil.
A avaliação da comissão técnica brasileira é semelhante à feita anteriormente por Abel Ferreira, Dorival Júnior e Paulo Fonseca: Endrick possui enorme capacidade de decidir partidas, mas ainda precisa ampliar sua influência nos momentos em que a equipe está sem a bola e durante a fase de construção ofensiva.
Endrick titular contra o Haiti? Ancelotti promete mudanças no time do Brasil
Mesmo assim, o cenário pode mudar rapidamente. Após a atuação abaixo do esperado diante do Marrocos, Ancelotti estuda promover alterações importantes para o duelo contra o Haiti, marcado para esta sexta-feira (19), na Filadélfia.
Embora ainda não apareça entre os favoritos para iniciar a partida, Endrick ganhou força no debate público e aumenta a pressão por oportunidades em um momento decisivo da campanha brasileira no Mundial.
